terça-feira, 1 de abril de 2014

Rio de Janeiro | Ron Mueck: uma exposição onde não cabem adjetivos

Fomos conhecer a exposição mais falada dos últimos tempos no Rio de Janeiro, a do artista australiano Ron Mueck. Inicialmente ficamos preocupados se deveríamos ou não levar o Theo, por causa das figuras nuas. Enquanto líamos sobre a exposição, vimos uma foto de um bebê ligado à mãe pelo cordão umbilical (essa obra não veio para o Brasil :/ ), e o Theo imediatamente pediu pra ver a foto, demonstrando curiosidade. Mas ficamos preocupados em impressioná-lo demais com as figuras. Felizmente uma amiga minha foi antes e disse que era tranquilo (valeu, Dê!), pois não achei a classificação etária da exposição no site.


O primeiro desafio foi comprar os ingressos pelo site da Ingresso Fácil. Optamos por comprar pela internet para agilizar já que iríamos com o Theo. Foi a melhor decisão, pois as filas são quilométricas e dão voltas e mais voltas. Tentei comprar pelo site por uns quatro dias consecutivos, troquei o navegador, troquei o usuário... e só dava erro de cadastro. Nenhuma mensagem aparecia informando qual era o erro, até que no último dia, quase desistindo, apareceu bem apagadinha uma mensagem solicitando não usar hífen no número da identidade. Não tinha colocado hífen na identidade, mas aproveitei a "regra" para tirar do CEP e... bingo! Era esse o problema! Portanto, nada de hífen para comprar o seu ingresso. E olha, não deixe para comprar na hora. A taxa de conveniência é muito pequena e vale a pena, você não vai se arrepender de pagar.

Entrada do MAM lotada e confusa (foto de celular)

Depois de sua última parada em Buenos Aires, a arte de Ron Mueck está agora no MAM, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde fica até junho. O artista é conhecido por reproduzir detalhes do corpo humano com extrema precisão, utilizando como aliado o cinema e seus efeitos especiais. Se uma de suas obras fosse do meu tamanho e eu passasse por ela pela rua, poderia jurar que era um ser humano real. Seu trabalho supera os limites da perfeição!

Assim que subimos as escadas damos de cara com essa galinha pendurada. Eu não estava esperando ver uma penosa assim, tão à vontade, mas foi curioso. Essa obra se chama "Still Life". Curiosa também é a reação do público: a impressão que tive é que as pessoas se preocupavam mais em fotografar do que em observar. É um tanto compreensível também; não é toda hora que temos exposições tão interessantes como essa e principalmente a um preço tão acessível: R$ 14,00 (entrada inteira).


Logo ao lado uma figura bem mais angelical: uma mãe com sacolas nas mãos guardando o filho dentro de sua roupa, com uma quase troca de olhares que só as mães - e Ron Mueck - conseguem entender. "Woman with Shopping" é o reflexo do que significa para uma pessoa apoiar a outra. É emocionante ver a delicadeza e atenção aos detalhes do artista. O Theo adorou essa "moça" - ele estava cheio de expectativas para ver o bebê saindo da barriga da mãe e essa obra não veio para o Brasil.


Dos traços delicados da mãe com o filho para um casal da terceira idade que sabe curtir a vida, quem sabe em alguma praia do Rio de Janeiro. "Couple under an umbrella", nas palavras de Justin Paton, curador chefe da Christchurch Art Gallery da Nova Zelândia, "representa o desapego no sentido mais positivo do verbo 'sustentar': manter alguém com força, mantê-lo por toda a vida, manter um momento de vida frente ao fluxo do tempo". Essa obra gigantesca é para ser admirada segundo a segundo. Observem as linhas de expressão, as unhas grandes dos 'protagonistas', os pelos arrepiados... incrível é pouco para definir! Por isso eu disse no título que não cabem adjetivos para esta exposição!



Difícil era conseguir uma brecha para tirar uma foto como essa abaixo. As pessoas queriam postar instantaneamente nas redes sociais em vez de ceder lugar ao próximo. Fiquei nervosa!
 
"Family under an umbrella"

Bem mais modesto do que o casal anterior, mas não menos intrigante, o corte ensanguentado na barriga desse homem simples de pés descalços, calça jeans e blusa branca, quase que abrasileirado, era perfeição em cima de perfeição. Vejam as expressões faciais... que trabalho incrível o deste artista!


Em seguida vem a "Woman with Sticks", uma mulher cujo esforço para carregar tanto peso resulta em dobras e expressões perfeitas pelo seu corpo.



"Man in a boat", esse homem nu e solitário no barco tinha um olhar vazio e um tom de pele que lembrou um defunto. Sua expressão facial parecia estar à procura de alguém. E lembram que eu disse sobre a fissura dos visitantes em fotografar as obras? Vejam essa foto que tirei abaixo!


Ainda segundo Justin Paton, das 38 obras de Ron Mueck, 35 são figuras solitárias. Vejam esta arte presa à parede. Chama-se "Drift" e é impressionante: relógio no pulso acompanhando o movimento do braço, pulseira, bermuda estampada, barriga tanquinho... e os pés? Perfeitos!

Drift

"Young Couple", a escultura do casal de adolescentes, é exibida aqui pela primeira vez e é a menor das obras de Ron Mueck com duas pessoas. Reparem nos pelos nas pernas do rapaz!



Talvez a obra mais esperada e a mais impressionante (se é que eu posso escolher alguma): "Mask II", uma cabeça gigante deitada, olhos fechados, barba cerrada, lábios carnudos e cheios de linhas em um rosto misterioso repleto de significado e marcas de expressão.


Fiquei ali uns bons minutos observando os detalhes incríveis desta obra.


São nove obras expostas no total. É intrigante, é fascinante, é curioso, é espantoso, é misterioso, é incrível... não existem adjetivos para definir! É tão perfeito que lembra até uma fotografia, que congela o instante decisivo para sempre. Só que está tudo bem na nossa frente, ao alcance dos olhos e das mãos. E a obra desperta uma vontade enorme de tocar, porque é uma perfeição tão incrível que a curiosidade não consegue ser saciada apenas com os olhos. Ah... como eu queria ter encostado um dedinho só que fosse! Essa exposição seria perfeita para um museu que existe em Buenos Aires, o Museu Participativo de Ciencias - Prohibido no Tocar (em breve vou escrever sobre ele!).

Um documentário sobre o processo criativo de Ron Mueck é exibido em uma sala, e é interessante assistir. Não consegui ver tudo porque a euforia do Theo não me permitiu, mas é legal entender como funciona o trabalho do artista.

A visita não dura muito mais que duas horas, mas a vontade é de ficar ali um dia inteiro observando cada detalhe da obra de Mueck.

Vale a pena visitar a exposição com crianças; o Theo tem 3 anos e adorou! E se tiver oportunidade, vá sem elas também (para percorrer tudo com calma).

Famílias com crianças: atenção às escadas sem proteção!



E não saia do MAM sem olhar pelas vidraças e admirar o que a Cidade Maravilhosa tem para oferecer!


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MAM - Museu de Arte Moderna
Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo
www.mamrio.com.br
Sobre a exposição: http://mamrio.org.br/exposicoes/ron-mueck/
Entrada: R$ 14,00

***OBS: Flanelinhas cobram R$ 20,00 pelo estacionamento e ainda dizem que "tá tudo tranquilo e você não será multado". Não caia nessa! Vá para o MAM entrando pelo Aeroporto Santos Dumont (principalmente se for domingo, pois o Aterro do Flamengo fica fechado), e siga até a lateral do Museu. Paramos no Vaga Certa e pagamos R$ 2,00, a poucos passos do MAM.

***OBS2: Crianças a partir de 4 anos ainda podem aproveitar (gratuitamente) das atividades do projeto "Eu, você e o MAM", que acontece aos finais de semana em horários diversos. É um programa de acolhimento com visitas acompanhadas  que estimula a criatividade e a curiosidade dos pequenos.

*** OBS3: Aproveite para conhecer o acervo permanente do MAM, que também é muito interessante!

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12 comentários:

  1. adoreii, e vc me ajudou bastante pois estava querendo levar a minha sobrinha e tinha mesma duvida quanto a questão do nudismo .
    bjs .
    Kely Montarroyos
    http://viveremtribo.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Que bom, Kely! Espero que vocês tenham gostado da exposição!
      Bjs,
      Karla

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  2. É como você escreveu, não tem adjetivos. Só mesmo visitando para admirar estas obras de arte!!!!! Maravilhosas!!!
    Sensacionais!!

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  3. OI Karla, a exposição está sensacional e imperdível. Eu fui durante a semana, no horário do almoço e foi supertranquilo. Adorei as suas dicas.
    beijos
    Chris
    Inventando com a Mamãe

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    Respostas
    1. Oi, Chris! Bom saber... imaginei que durante a semana seria bem mais tranquilo mesmo.
      Obrigada por compartilhar sua experiência conosco! :)
      Bjs,
      Karla

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  4. Oi! Parabéns pela reportagem! Tenho uma página de humor e escrevi sobre essa mania das pessoas de fotograrem o tempo todo e tudo o que veem. Usei sua foto. Posso? Quero dar o seu crédito para ela. Qual o seu sobrenome? Segue o link da página de humor: https://www.facebook.com/PattyCriticaBipolar

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    Respostas
    1. Olá, Antonio! Seja bem-vindo! Comentei lá na sua página. Pode colocar meu crédito como Karla Alves Leal.
      Obrigada! :)

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  5. Oi Karla, adorei as suas dicas!! Estarei indo na exposição no ultimo dia, e acho q devo encontrar bastante filas... Já comprei os ingressos on line. Vc sabe me informar a partir de q idade criança paga??? Obrigada. Andréa

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    Respostas
    1. Oi, Déa! Tudo bem? Seja bem-vinda ao Cariocando!
      Provavelmente vai estar bem cheio mesmo, mas não deixe de ir! Vale a pena!
      Agora você me pegou, não lembro a partir de que idade as crianças pagam. :(
      Desculpe não poder ajudar. Talvez no site de venda online tenha essa info, será que não?
      Volte sempre!
      Abs,
      Karla

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